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Austríacos fazem vigília por mulher que ficou presa em porão

Centenas de pessoas fizeram uma vigília na noite de terça-feira, em Amstetten, na Áustria, cidade em que Josef Fritzl manteve a filha Elisabeth presa em um porão durante 24 anos. Os moradores da pacata cidade, que fica a 120 quilômetros da capital Viena, demonstraram solidariedade à mulher e aos seis filhos que ela teve com o pai. “Nós queremos mostrar que Amstetten não é uma cidade de criminosos”, disse o prefeito da cidade. O evento foi organizado por uma escola religiosa local e atraiu pais, crianças, professores e religiosos. Testes de DNA confirmaram na terça-feira que Josef Fritzl é mesmo o pai das crianças que teve com a filha durante o tempo em que a manteve no porão.

Encontro emocionante

Autoridades austríacas disseram ter sido “emocionante” o reencontro entre Elisabeth, hoje com 42 anos e dois dos três filhos que viviam com ela no porão, com os outros três que moravam no andar de cima da casa, com o pai e a avó. O encontro ocorreu em uma clínica psiquiátrica onde a família está recebendo tratamento. A mulher de Fritzl, Rosemarie, que durante os 24 anos acreditou que a filha havia fugido de casa para se unir a uma seita religiosa, também ficou muito emocionada ao rever Elisabeth. “Foi impressionante a facilidade como mãe e filha se reaproximaram”, disse Berthold Kepplinger, diretor da clínica psiquiátrica.

Kepplinger ainda disse que os membros da família interagiram com naturalidade, mas que duas das três crianças, com 18 e 5 anos – que passaram toda a vida sem ver a luz do sol – se comunicavam de maneira “completamente anormal”.

Kirsten, a filha mais velha da mulher, com 19 anos, ainda está internada no hospital em estado de coma, após passar a vida em confinamento.

Momentos terríveis

O diretor da clínica disse também que Elisabeth “falou bastante” sobre os momentos terríveis que passou no porão, mas não revelou detalhes.

O advogado de Josef Fritzl, Rudolf Mayer, disse à BBC que apesar de o austríaco não ter demonstrado arrependimento pelos crimes que cometeu, parecia muito triste e “emocionalmente abalado”.

Três das sete crianças que o pai teve com a filha eram mantidas no porão com a mãe enquanto as outras três foram adotadas por Fritzl e sua mulher.

Para conseguir a adoção, ele teria forçado Elisabeth a escrever cartas dizendo que não poderia educá-las.

Segundo as autoridades, assistentes sociais faziam visitas regulares à família e nunca levantaram suspeitas.

Em relatórios, eles diziam que a mulher de Fritzl era muito “atenciosa” e que as crianças que viviam com a família tocavam instrumentos musicais, freqüentavam a escola e clubes de recriação.

Se condenado, Josef Fritzl poderá pegar até 15 anos de prisão por estupro e seqüestro.

A corte ainda está considerando uma pena relativa a assassinato por negligência em conexão com a morte de um dos sete filhos que ele teve com Elisabeth.

Fonte

http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2008/04/080430_austriavigilia_fp.shtml

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